Serpentário

Posted in Uncategorized on março 5, 2012 by faker


Os cabos no quarto de despejos
são cobras em busca de conexão
perdida, de uma tomada elétrica
ou um plugue que as ressuscite

As cobras no quarto de desprezos
são feras que gemem, amargas:
onde as máquinas de antanho?
onde os gadgets do meu sertão?

As feras no quarto de espelhos
são plástico, cobre, fibra óptica,
aço, alumínio, borracha e vidro
enrolados em um sonho tétrico

em que transmitem a mensagem
capital, a narrativa dos desejos
perdidos outra vez para sempre
quando, sub-reptício, fecho a porta.

Poema em branco

Posted in Uncategorized on março 18, 2010 by faker


Nem sombra de escrita
Meus dedos não me obedecem mais
Nem minha cabeça
Nem as nuvens
Nada nunca me obedeceu
Matar o ressentimento, ser positivo
Esquecer as conspirações dos espíritos e das calçadas
Esquecer o fluxo da notícia
O rio de pensamentos alheios que invade minhas margens
Esquecer os próprios mitos
Os cigarros que nos abrem caminhos
Nada parece muito real aqui dessa ponta do mundo escuro
Como se tomasse súbito contato com a verdade que sim acontece comigo
Não não era um fantasma amigo
Este que habita este corpo
Se é que este havia
Antes da escrita

Amor número 2

Posted in Uncategorized on fevereiro 22, 2010 by faker


o totó dele
o totó dela
fizeram cocô na mesma esquina

ele abaixou para pegar o cocô
ela abaixou para pegar o cocô
bateram cabeças no mormaço

olhos nos olhos
cocôs nas mãos
sininhos nos ouvidos

ela usa uma luva de plástico
ele uma sacola de supermercado
‘o seu totó é tão fofo’, ambos dizem

e analisam a sujeira da pracinha
e elogiam a pausa das tempestades
e futricam das chatices do trabalho

– urina
– purina
– gasolina
– serpentina
– cê viu aquele barzinho novo que abriu?

ele pega o celular pra anotar o número dela
ela pega o celular pra anotar o número dele
os cocôs amolecem no plástico

‘a gente se vê’, ele pede
‘você me liga’, ela jura
enquanto o totó dele cheira o cu do totó dela

O excesso e o silício

Posted in Uncategorized on fevereiro 11, 2010 by faker


Quando a nuvem de computadores afinal chover
precipite-se sobre mim
precipite-se sobre mim

Tenho um saci-pererê interno
Por isso só consigo me ver
no espelho do elevador

O caminho da sabedoria passa pelo excesso
e pelo silício
a vida é uma mensagem cifrada

O problema não é morrer
e ser esquecido
É ficar
sem lembrar

Os rolimãs
os tobogãs
os talibãs
todos ocupam o mesmo espaço no meu HD

Mas o silêncio é um sino de cristal
seu badalo é de chumbo

E de repente a chuva
de repente a chuva

Primeira aula de levitação

Posted in Uncategorized on dezembro 16, 2008 by faker


Antes que a minha vida se torne a tua
A força que me comanda em tuas mãos
Um pacto de catecismos e cataclismos
Deve ser firmado na areia e então apagado
Pelo mar que nos rodeia e nos persiste
Para que a gente esqueça de uma vez o que era o mundo
Antes que tudo comece ou termine
Em fulgurações ou ossos a pino
Constelações perdidas
Olhos flutuantes
Dentes e flores

Mugwump drive

Posted in Uncategorized on agosto 6, 2008 by faker


She has not anymore butterflies in the stomach
she said me
So I put some butterflies in the hardboiled water
With some oil and salt
On the screen William Tell tries to kill stoned roaches
The black disappear into the yellow
So his wife got stoned on the exterminator powder
And I stand up watching everything with a plate in my hand
Just noticed that step on some butterflies that fell from the plate
And
- like an agent hidden as a larve waitin’ for the moment to catch out -
they started to waving wings over the floor

Nova

Posted in Uncategorized on abril 9, 2008 by faker

deve ser gravidade
a lei do que move
sem largar pegadas
vai minando dentro
e fora faz satélite

nada disso é tanto
ando sem palavras
pra nomear silêncio
quando o não o sim
que cada passo some

e entre aí e aqui
o ar onde se esconde
tão outras de si
que só os vastos vazios
toda ela existe

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