Primeira aula de levitação

Posted in Uncategorized on Dezembro 16, 2008 by faker


Antes que a minha vida se torne a tua
A força que me comanda em tuas mãos
Um pacto de catecismos e cataclismos
Deve ser firmado na areia e então apagado
Pelo mar que nos rodeia e nos persiste
Para que a gente esqueça de uma vez o que era o mundo
Antes que tudo comece ou termine
Em fulgurações ou ossos a pino
Constelações perdidas
Olhos flutuantes
Dentes e flores

Mugwump drive

Posted in Uncategorized on Agosto 6, 2008 by faker


She has not anymore butterflies in the stomach
she said me
So I put some butterflies in the hardboiled water
With some oil and salt
On the screen William Tell tries to kill stoned roaches
The black disappear into the yellow
So his wife got stoned on the exterminator powder
And I stand up watching everything with a plate in my hand
Just noticed that step on some butterflies that fell from the plate
And
- like an agent hidden as a larve waitin’ for the moment to catch out -
they started to waving wings over the floor

Nova

Posted in Uncategorized on Abril 9, 2008 by faker

deve ser gravidade
a lei do que move
sem largar pegadas
vai minando dentro
e fora faz satélite

nada disso é tanto
ando sem palavras
pra nomear silêncio
quando o não o sim
que cada passo some

e entre aí e aqui
o ar onde se esconde
tão outras de si
que só os vastos vazios
toda ela existe

Espinha

Posted in Uncategorized on Março 23, 2008 by faker


tento te cuspir
você não sai
esqueceu a escova
teus dentes brancos
na cômoda no espelho
esfrego a língua a pele o osso
a espuma clara descendo pelo ralo
teus cabelos white noise ainda transpiram
nos meus dentes
tento te cuspir
você não sai

Não é você sou eu

Posted in Uncategorized on Março 14, 2008 by faker


Ela bate o portão e abre a sombrinha
Dois cães fuçam rango no meio-fio
Rápido ela atravessa a rua molhada
O ar da noite aos poucos se secando
em blues automático uma nostalgia
Carros passam derrapam buzinam
Seu gosto ainda na boca se dissipa
na velha fome sempre incompleta
Ela parece feliz dobrando a esquina
E os cães brigam por um hot-dog frio

Samples assim

Posted in Uncategorized on Março 10, 2008 by faker


Hey você, me dá um tempo
precipita-se a Mulher Invisível
para o apressado Agente Secreto

[a primeira vez que ele a viu
sua voz conspirava contra trovões]

Teremos todo o tempo do mundo
promete a Mulher Invisível
ao celular, no WC do aeroporto

[da segunda, ela vinha das águas,
Vênus, fumaça, tumulto]

O tempo é uma voz que silencia
ela sussurra, ilha submarina

[na terceira, sua boca no ouvido,
um buquê de segredos líquidos,
nem a chuva tem mãos tão suaves]

Preciso ver-te, Mulher Invisível
quando o tempo do tempo nos soltar
– assim como um poema faz-se
com carne, tempestade e silêncio

Dias de nuvem

Posted in Uncategorized on Janeiro 29, 2008 by faker

Habitei entre nuvens, não como moram os anjos [não existem], há sim a chuva ácida e aviões que perfuram cúmulos sempre na hora errada – como seria lindo presenciar um relâmpago que atravessasse um Jumbo

Estava embalado entre nuvens como entre as poderosas e suaves pernas de uma menina com nome de ilha, aliás, lisa toda ela, estremecendo-se comigo exatamente ao mesmo tempo, tão líquida sempre, lágrimas, saliva, seiva, suor e seus perfumes indefiníveis como os nomes de nuvens dentro de uma tempestade antes de ir embora de minha vida para sempre ou até o próximo fim de semana, o que chegar antes

Talvez fosse mais corajoso enfiar essa página numa garrafa e esta ao oceano, mas o medo de que daqui a muitos anos meu navio novamente corte o caminho da garrafa com meus dias nublados me desistiram da idéia

Verei novamente os filmes da família Corleone, sua condenação ao amor e ao sangue – mas de quanta vida e quanto estilo eram capazes quando anunciavam “vou lhe fazer uma proposta que não poderá recusar” –, e minha própria condenação à orfandade como pai, como irmão, como filho, como parte de alguma comunidade (nem que fosse um escritório)

Pensarei em Cat Power rouca entre trovões e guitarras ingênuas e em como é difícil fazer músicas simples – que foi o que me veio à mente quando fumava salvia divinorum e ouvia A love supreme e despencava triturado por rodas negras através de um abismo de estrelas suspenso por dentes de veludo nas articulações buscando manter a concentração no jorro contínuo que escapava do saxofone de Coltrane, não é fácil cair, é preciso pureza no coração para cair sinceramente, sem dúvida nem distração, mesmo que durante um sonho

Para toda a vida serei um homem preparado para cozinhar com algum esmero seu arroz, seu feijão, suas batatas e seu filé enquanto assiste a um jogo de futebol que termina em zero a zero, e isso jamais deverá ser motivo para melancolia, mesmo que na rua um bloco de carnaval dance euforicamente sob a chuva, lição aprendida com o Vila-Matas de Paris não tem fim: “Continuei vivendo em desespero, mas com momentos de estranha felicidade que de vez em quando me vinham – continuam vindo – do rock and roll”

E me lembrarei de quando era pequeno e queria comer algodão doce pois na minha cabeça era um jeito de me fundir às nuvens e suas feições cambiantes, o algodão doce alimentaria minhas faces com a natureza das nuvens até que eu pudesse ser o que quisesse, viajante, roqueiro, assassino, leitor, escritor, cozinheiro, amante, órfão ou simplesmente algo que flutua até virar chuva, vapor, gelo ou véu de noiva para a lua

Gullivera

Posted in Uncategorized on Outubro 6, 2007 by faker

La mujer más alta de la ciudad tiene un coche rojo
uñas rojas también longas perfectamente agudas
poca paciencia muchos manés bajo sus pies crueles
una fila de novios con escaleras – esta mujer
solo se alcanza del otro lado de la luna

Habita el Paraíso no sabe cambiar neumáticos gusta los Klaxons
tiene manos frías mentón indúctil jamás siente cosquillas
su olor recuerda el mar moreno del fin de la tarde
cuando surge todo queda muy caliente y pequeño
tanto cuanto puede ser la boca de un volcán

La mujer más alta de la ciudad es seria
y muestra una sonrisa perversa a deshoras
cuando ofrécete un bombón que otro regaló
cuando gravita las cosas al rededor
y dice ‘liliput yourself in your little place’

No sabe la mujer más alta de la ciudad
que la altitud puede ser un peligro
y que tienes ardiles para coger seres así
– pero para que tú quieres capturarla
si puedes tenerla sin suelo solo aire

Putañol salvaje [poesía de messenger]

Posted in Uncategorized on Setembro 3, 2007 by faker

Yo soy un pateta yo confeso
Soy un caô mi amor yo confeso
Confeso dama mía soy una treta
Un profeta del sexo sin suceso
Me acerto en el error y me olvido
de la razón soy un K.O. a tus pies
Pero confeso y perdón non pido
– que toda mutreta tiene su nexo
y todo impostor sume si despido
Yo soy un pateta yo confeso
Soy un caô mi amor yo confeso
Confeso dama mía soy una treta
Un profeta del sexo sin suceso
Me acerto en el error y me olvido
de la razón soy un K.O. a tus pies
Pero confeso y perdón non pido
– que toda mutreta tiene su nexo
y todo impostor sume si despido

Luna ondula sus mareas

Posted in Uncategorized on Agosto 7, 2007 by faker

Tenderly desintégrame
esta noche estoy pronto si tú estás
you’re with that tartan of kryptonite
I’m just that guy outside who writes
Luna ondula sus mareas

En la nube nueve sé lo que tú eres
la rainha diaba a anunciar felices nuevas en la tele
y sonríes perversa y entonces macérame tenderly
Luna ondula sus mareas

The guy who writes es solo un fontanero
tiene de comunicar vasos ríos corrientes
fluir mierdas aguas alcoholes leches
Luna ondula sus mareas

Lo que puedo hablar de tu olor que no sea leviatan
cuando bajo la nube nueve me follas en el tartan
y bisbisea ‘voy a sumergirte’
Luna ondula sus mareas

Oferta tus senos como vino tus cabellos mi texto
cada libro un ladrillo creando su precipicio
sangre es la única voz que escribe
Luna ondula sus mareas

Tenderly desintégrame
keep your teeth over my veins
keep kryptonite inside your tongue
keep my blood playing the words
Luna ondula sus mareas